6/30/2012

"BLADE RUNNER" E O PROBLEMA DAS OUTRAS MENTES


O problema da existência de outras mentes está relacionada com a ideia de ceticismo quanto a existência de um corpo vinculado a uma mente, pois uma vez aceita tal ideia, podemos nos perguntar se essa relação também ocorre com outros sujeitos que percebemos a sua existência. O filme “Blade Runner”, a meu ver, tenta discutir melhor essa ideia na figura dos androides, uma vez que eles aparentam sentir algo por outros androides, ou quando que possuem vontades e sentimentos humanos. Assim podemos nos perguntar se a relação mente e corpo se dá de que modo nos outros seres: É uma tentativa de explicar a possibilidade de interação entre mente e corpo, onde o pressuposto básico não estaria ligado somente a minha mente, e sim a ideia de existência de mentes e corpos que não sejam os meus, por exemplo.

O que podemos destacar, em primeiro momento é como podemos entender as coisas que percebemos. Se formos um tanto coerentes com o nosso mundo sensitivo, e assumimos sua existência, dizemos que conhecemos através de experiências sensíveis, e que tudo o que sentimos ou pensamos possuem certa relação de causa e efeito com as coisas mundanas. Exemplo: a visão. Quando enxergamos um ônibus desgovernado vindo em nossa direção, a reação que temos naquele instante é de sair do caminho dele, buscando a conservação da vida. Ou seja, utilizamos o nosso aparato perceptual, fazemos uma leitura da situação com a nossa mente, e concluímos que se continuarmos parados no mesmo lugar seremos atropelados e perderemos a vida corporal. Podemos notar, portanto, que com as sensações que sentimos através do nosso aparato perceptual buscamos de certa forma, analisar a situação, e o fazemos através da mente. Agora, podemos supor dai que qualquer outra pessoa faria o mesmo tipo de relação mental? Agora pensemos no caso de uma pessoa cega. Ela possui sentidos ela não enxerga o ônibus vindo em sua direção, porem ouve. Ao ouvir o ônibus o cego não sabe que este passará por cima de si ao se aproximar. Ou seja, a pessoa não fará a mesma relação mental que a outra pessoa fez. A relação que ela faz com a mente e o corpo é totalmente diferenciada daquela feita por uma pessoa vidente. Mas se pudesse enxergar provavelmente teria salvado sua própria vida.

Pensemos agora no caso dos mutantes e dos mortos-vivos. O que Blackburn pretendia ao mostrar a possibilidade de existência dessas duas subespécies é que esses dois grupos poderiam aparentar ser seres humanos, ao passo que não eram, pois possuíam todas as características que os definiam como tal. Assim poderíamos nos perguntar o que serve como pressuposto inicial para que possamos afirmar a relação entre mente corpo. A existência ou não de consciência era o ponto principal da discussão. Se assumíssemos que os mortos-vivos não tivessem consciência, como poderíamos explicar as reações que possuíam quando fossem machucados. Deste modo podemos nos perguntar se há a possibilidade de existir seres que possuem esta relação e se é algo exclusivo do ser humano.

O filme Blade Runner aborda bem este questionamento. A história toda se passa na Los Angeles de 2019, em que a ciência estava tão avançada a ponto de ser viável a produção de androides. Esses androides foram criados com o objetivo básico de servir aos seres humanos para os mais diversos fins, mas a humanidade não os queria mais e resolveu descarta-los por diversos motivos. Harrison Ford faz o papel do caçador de androides Rick Deckard, que consegue identifica-los e os liquida. Mas em determinado momento coisas estranhas vão ocorrendo com Rick e com os androides aos quais ele vai se envolvendo ao decorrer do filme. A androide Pris é um exemplo: parece que ela aprende a desenvolver sentimentos humanos quando que mostra interesse por Rick e acaba se apaixonando por ele. Também no momento quando ela começa a pensar até que ponto consegue pensar, ou se tudo o que ela aprendeu (ou acha que aprendeu) não passam de programas implantados no seu chip. O que podemos notar é que o 
questionamento anteriormente feito pode ser respondido de modo afirmativo. Outro androide, o Roy, sugere isso. Ele tinha o desejo de viver o máximo de tempo possível, e acreditava que aquele não era o momento de sua partida. Ele queria continuar vivo a todo o custo. Para tanto foi procurar o seu criador e pediu que essa o ajudasse no seu intento. Chegando lá, o seu criador lhe disse que isso era impossível de ser feito. Por isso Roy mata-o em excesso de fúria.

O comportamento de Roy durante o filme é muito interessante. Parece que ele vai deixando de ser máquina e vai virando humano. Podemos notar que isso ocorre quando percebe a morte de sua companheira. Ele sente a morte dela, e por esse motivo também tenta matar Rick. Deste modo podemos perceber que há a possibilidade de uma coisa que não seja humana fazer relações com as coisas

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