Com o exemplo das cores, Hume
pretende propor que existe um caso em que as ideias podem ser concebidas não
por derivação de uma impressão, mas como derivação da indução da analise de
ideias opostas impostas ao ser que percebe, apresentando-se como uma
contradição ao principio da cópia. Para tanto é necessário investigar os três
sentidos de ideia que aparecem no texto, a saber: ideia interna, ideia externa
e ideia relativa.
Quando pensamos nas impressões e
ideias em Hume, pensamos nas suas relações para que com as coisas percebidas.
Sabemos que quanto ao grau de vividez e de força as ideias possuem um grau menor
que a impressão, pois elas são concebidas como copias das impressões. Assim,
por exemplo: quando uma pessoa sofre um acidente de carro ela vai sentir com
muita intensidade o cheiro da gasolina, a dor no seu corpo, o suor no rosto por
causa do nervosismo acarretado do susto que recebeu com o acidente, a imagem do
acidente é muita mais chocante naquele momento. Agora imaginemos essa mesma
pessoa contando do acidente para as outras pessoas. Ela vai se lembrar da
imagem daquele dado momento. Ela até pode descrever como aquilo foi fielmente,
mas a lembrança do uso dos sentidos daquele momento vai ser a única coisa que
vai lhe restar, e não poderia naquele momento reproduzir a experiência vivida.
Ou seja, quando falamos em cheiro de gasolina, vem a nossa mente a lembrança do
cheiro da gasolina e não o cheiro em si, o que confere que a ideia de cheiro de
gasolina não passa de uma “imagem” da impressão, ou uma cópia daquela
determinada impressão sentida em um momento distinto.
Como podemos ver, no exemplo
acima exposto, a ideia é uma copia e produto da impressão. Dizer isso é afirmar
que se ela for um produto ela não poderia originar de modo algum alguma outra
ideia, e de certo modo é isso que vai acontecer. Antes de tudo devemos notar
que aparecem três sentidos distintos de ideias, a saber:
a) Ideia interna: é a ideia formada a partir das impressões que o indivíduo obtém da experiência;
b) Ideia externa: é aquela ideia formada a partir da linguagem, ou seja, é um conceito que pode ser usado para descrever uma ideia entendida entre as pessoas usuárias de certa linguagem. Deste modo um cego consegue definir o que seja maçã, mesmo não tendo a ideia clara de como uma maçã especial seja;
c) Ideia relativa: é quando há certa comparação propriamente dita entre duas ideias distintas, em que pela indução temos uma ideia intermediaria e relativa do terceiro elemento.
a) Ideia interna: é a ideia formada a partir das impressões que o indivíduo obtém da experiência;
b) Ideia externa: é aquela ideia formada a partir da linguagem, ou seja, é um conceito que pode ser usado para descrever uma ideia entendida entre as pessoas usuárias de certa linguagem. Deste modo um cego consegue definir o que seja maçã, mesmo não tendo a ideia clara de como uma maçã especial seja;
c) Ideia relativa: é quando há certa comparação propriamente dita entre duas ideias distintas, em que pela indução temos uma ideia intermediaria e relativa do terceiro elemento.
Tomando estes três tipos de
ideias, pensemos então na situação que Hume expõe no paragrafo oito da
Investigação Acerca do Conhecimento Humano. A primeira ideia que percebemos no
ser humano é a interna que é formada pelo ser que percebe. Ou seja, a ideia de
azul que este ser possui é formada a partir de impressões distintas que formam
ideias distintas da cor azul, a saber, a ideia de suas tonalidades. No segundo
momento temos o preceito de tal ideia sendo apresentado pela linguagem. Assim
uma pessoa que seja ex-vidente, agora cega, consegue imaginar algum tom de azul
qualquer, porque a sua linguagem corresponde àquelas tonalidades de cores
denominadas azuis. Assim quando falamos que passou um fusca azul ela pode
pensar numa tonalidade desta cor que não corresponde a real e por isso a sua
ideia na será perfeitamente idêntica a impressão de seu conhecido (neste caso
devemos relevar que a impressão não corresponde a ideia formada, pois o sujeito
que forma a ideia não é o mesmo que possui a impressão derivada da
experiencia). No caso da ideia relativa podemos pensar como no exemplo que Hume
expõe:
“Colocai
todos os diferentes matizes daquela cor, exceto aquele único que ela não
conhece, em sua frente, decrescendo gradualmente, do mais escuro ao mais claro.
Certamente ela perceberá onde falta este matiz, terá o sentimento de que há uma
grande distância naquele lugar entre as cores contíguas, mais do que em
qualquer outro.”
Nesse excerto Hume tenta demonstrar que a pessoa
pode sim conceber uma ideia a partir de dedução de outras duas ideias. O caso
da cor é o único caso propicio para isso por permitir que a pessoa compare e
perceba que existe um tom entre dois outros tons, que deveria estar ali,
concebendo uma ideia daquele tom. Por esse motivo que Hume não muda a tese
geral, porque aquela exceção não poderia virar regra tendo em vista que a
relação entre ideias e impressões se dão de dada forma e não de outra. Finalmente, o modo
como as pessoas adquirem o conhecimento para Hume é aquele exposto
anteriormente.
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